— Por causa de ti.
— De mim?
— Sim, de ti.
— Porquê?
— De quem mais havia de ser?
— Não sei, talvez…
— Talvez, quem? Vês mais alguém aqui?
— Na verdade, não…
— Pronto. Por causa de ti. De mim não deve ser.
— Porque não?
— Como assim?
— Porque não por causa de ti?
— De mim?
— Sim, vês mais alguém aqui?
— Na verdade, não…
— Pronto. Por causa de ti. Está decidido.
— E porque não pode ser de mais alguém?
— Alguém que não esteja aqui? É que não há mais ninguém.
— Aqui não, mas noutro sítio, talvez…
— Não.
— Não?
— Não. Não há mais ninguém.
— Não há mais ninguém aqui, queres tu dizer.
— Não. Não há mais ninguém, ponto.
— No mundo inteiro?
— Exatamente. Só tu e eu.
— Só tu e eu? Tens a certeza?
— Absoluta.
— E como é que isso aconteceu?
— Aconteceu… por causa de ti.